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Vendas de carros mais baratos voltam a crescer em 2017


A venda de carros mais baratos voltou a crescer no 2º semestre de 2017. Os dois segmentos mais baratos do mercado são os chamados . A soma de todos os veículos que se enquadram nos grupos  carros de entrada (como o Gol, da Volkswagen, e o Ka, da Ford) e os hatches pequenos (como o Onix, da Chevrolet, e o Argo, da Fiat) voltou a crescer em meados do ano passado, ainda que de forma oscilante. 


O desempenho melhor na segunda metade de 2017 foi capaz de compensar a queda que ainda se via no primeiro semestre, e levou os dois segmentos a um crescimento de 3,1% em todo o ano, com o emplacamento de 564 mil unidades, em cálculo que só considera as vendas para consumidores pessoa física, segundo dados da Fenabrave, federação que representas as concessionárias de veículos. Mercado dos chamados carros mais baratos estava em queda desde 2013. 


A expansão dos carros mais baratos no ano passado, no entanto, ainda foi menor do que a do mercado como um todo, que teve aumento de 9,2%. Isso ocorreu porque foram os consumidores mais ricos, que compram os carros mais caros, que deram a maior contribuição ao setor. Não é a toa que a venda de veículos utilitários esportivos, conhecidos como SUVs, na sigla em inglês, foi a que mais cresceu em 2017 ante 2016, a uma taxa de 36%, o que levou o segmento a aumentar sua participação no mercado de 18% para 22%.


Para 2018, analistas do setor esperam que o segmento de carros mais baratos cresça mais do que em 2017 e passe a ter um desempenho mais próximo do mercado total. Eles apostam nisso porque acreditam que os dois indicadores que mais influenciam o consumo dos mais pobres, o emprego e o crédito, vão continuar melhorando este ano. “A demanda existe, estamos vendo que o mercado está voltando, principalmente por causa de taxas de juros menores. Além disso, há um aumento da confiança do consumidor, decorrente do aumento da melhora do mercado de trabalho”, disse Orlando Merluzzi, presidente da consultoria MA8, especializada no setor automotivo.


Entre os anos de 2010 e 2011 ocorreu a chamada ‘festa do crédito fácil’. Seguindo a orientação da política econômica da época, de aumento do consumo em geral, as instituições financeiras ofereciam financiamentos sem entrada e parcelas em até 100 meses para a compra de veículos. Muitos consumidores tiveram acesso ao carro zero pela primeira vez, e as vendas totais de veículos passaram de 3 milhões de unidades ao ano. O resultado, segundo dados recentemente divulgados pelo Banco Central, foi de inadimplência recorde por parte dos consumidores e, para os bancos, problemas para receber R$ 38,1 bilhões liberados, muitas vezes, com poucos critérios relativos à capacidade de pagamento dos tomadores de crédito. Os bancos já desistiram de cobrar R$ 22,8 bilhões e reconheceram o valor como prejuízo, mas ainda trabalham para receber outros R$ 15,3 bilhões emprestados na época. Desde então, os bancos passaram a ser mais criteriosos nos financiamentos ao setor.

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