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Bruno Lunelli


Presentinho de “Boas Vindas” de gestor pra gestor



No dia 28 de outubro é comemorado o Dia do Servidor. No entanto, os servidores municipais em Camaçari têm pouco ou nada para comemorarem. A começar por uma greve que completa exatos 7 meses, cheia de idas e vindas, mandados de segurança, cortes de pontos, assédio moral, mandados de injunção, processos por parte da prefeitura pra avaliar a legalidade da greve ...manifestações sempre organizadas e em todas as instâncias, uma greve legal, ordeira e criativa, como por exemplo, o enterro simbólico do serviço público ou a lavagem das escadarias da prefeitura.


Mesmo assim, os servidores amargam a falta do cumprimento dos direitos. Direitos tão falados nos últimos meses que o ainda gestor Ademar se nega a cumprir. A situação é simples: os servidores deveriam receber reajuste salarial no mínimo equivalente ao IPCA do ano passado, que neste caso seria somente a reposição da inflação do ano passado, retroativo a janeiro: 10,67%. Mas o que o governo alegou foi que não tinha verba para isso, mesmo estando previsto na lei o provisionamento. E depois, já no segundo quadrimestre, quando as contas se equilibraram e seria possível fazer o cumprimento da lei, o prefeito está de pirracinha. Ou seja, alega que se a disputa está na justiça, não vai pagar e sim esperar veredicto.


A situação é tão grave que junta possibilidade de pagamento, obrigatoriedade de pagamento e, simplesmente, a minguada e defasada reposição da inflação não vem. Mas nada  é tão ruim que não possa piorar: a greve pode se alongar para o ano que vem e o abacaxi cairá no colo do novo prefeito Elinaldo. Espera-se que este cumpra a lei referente ao ano que vem, mas não terá como pagar a dívida de Ademar. E os servidores terão um enorme calote e uma redução significativa no seu poder de sobrevivência financeira.


E a solução? Os servidores que se apresentam nas assembleias estão divididos entre levar a greve a uma terrível e quase inevitável espera sabe lá pra quando a Justiça e a nova gestão se entenderem (lembrando que Leis no Brasil existem e estão do lado mais fraco, mas quando há tensionamento, a corda sempre parte em cima do trabalhador) ou tentar se mobilizar para aceitar o último acordo proposto por Ademar que pagaria 5% retroativo a janeiro, incluindo reajuste dos valores de alimentação e transporte e 5,67% em dezembro não retroativo (esta é  a parte de perda); estes servidores estão vendo que aceitar mais ou menos 70% do desejado é melhor que nada!


A ala mais radical argumenta que se a greve parar agora nenhum prefeito respeitará a categoria dos servidores. Ora vejamos: se a greve tem 7 meses, com prejuízos sérios dos serviços à população, com desgastes políticos e tudo mais, o prefeito Ademar não cumpre a lei, e deste jeito não respeita o servidor; a questão não é lutar por respeito. Haja vista 7 meses de greve não estão fazendo efeito algum. E se um prefeito tiver o mínimo de bom senso, não permitirá chegar a este ponto. Então o recado está dado: o gestor que se meter a não cumprir a lei vai amargar uma categoria mobilizada e capaz de levar uma greve por longos meses. O gestor de bom senso já vai respeitar o servidor, porque será um prefeito que cumpre a lei e que se preocupada com a cidade.


Analisando as manifestações do prefeito eleito Elinaldo, a maioria acha que ele se comportará bem em relação aos servidor. No entanto, pode começar o seu mandato em primeiro de janeiro já com uma greve dos servidores; presentinho inédito de boas vindas de Ademar pra Elinaldo. Será que isso acontecerá ? Os próximos dias serão decisivos.


Bruno Lunelli  blunelli@hotmail.com é escritor, Bacharel em Artes pela Ufba, MBA em Gestão de Pessoas e Ambientalista


 
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