Busca:






Adelmo Borges


Uma semana importante



Grandes acontecimentos políticos construíram essa semana camaçariense. Acontecimentos estes, assimilados perfeitamente por uns e objeto de críticas por outros. Todos norteados pela concepção política, pela sua visão de mundo ou motivados por interesses outros. Não poderia ser diferente diante da multiplicidade das matrizes culturais e políticas dos atores envolvidos nas questões e as dificuldades em perceber e praticar o exercício democrático dos posicionamentos que se respaldam em decisões coletivas a partir de debates intensos, reflexões e apreciação de encaminhamentos apropriados para eventos que buscam preservar e fortalecer princípios que alimentam o processo de aproximação de sentimentos e idéias que miram os mesmos objetivos. A construção partidária em bases amplamente participativas, estimulantes e motivadoras. Nesta mesma direção duas figuras de notoriedade do Partido dos Trabalhadores – PT, em dois momentos e em locais distintos, se posicionam e criam referências para as nossas reflexões. Ricardo Berzoini, ex-presidente do PT nacional em seu artigo sobre a necessidade de se reformar o estatuto partidário a partir da decisão do 4º Congresso Nacional, escreve: “O IV Congresso também destaca para debate o caráter coletivo das campanhas eleitorais do Partido, ou seja, como garantir que os projetos individuais não se sobreponham às demandas coletivas e à democracia interna. Em um partido como o PT, o risco de nos tornarmos reféns da estrutura política externa ao partido é sempre presente, quanto mais crescemos e nos tornamos atores decisivos da vida política da Nação”. E conclui: “No momento em que a sociedade brasileira retoma a questão da reforma política, a primeira iniciativa de nossa reforma interna deve ser a participação das bases do partido na discussão. As centenas de milhares de filiados devem dar a demonstração de que esse não é um problema da direção, nem as respostas virão da cúpula. Nosso PT já mostrou que a militância é que defende e protege o partido, na luta pela democracia de nosso projeto socialista”. No mesmo sentimento o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao se dirigir aos militantes da Frente Ampla Uruguaia, afirma: “Companheiros e Companheiras, como ex-presidente da república, militante e dirigente do Partido dos Trabalhadores sempre tive uma enorme afinidade com a Frente Ampla. As políticas que Tabaré e Mujica implementaram no Uruguai são muito próximas daquelas que implementei no Brasil e que Dilma Rousseff está desenvolvendo agora. Mas o PT e a Frente Ampla têm muito mais em comum. Alguns já disseram que o PT é, em realidade, uma frente e que a Frente Ampla é um partido. As duas afirmações têm um fundo de verdade. Por uma razão muito simples: tanto a Frente, como o PT, são organizações plurais, profundamente democráticas. Somos capazes de combinar uma indispensável unidade de ação, com a valorização da diversidade e da democracia interna. Abrigamos distintas correntes de pensamento progressista. Respeitamos nossas diferenças ideológicas, mas não abrimos mão, em hipótese alguma, do compromisso com os trabalhadores e o povo pobre. Sabemos que, nas últimas décadas, as grandes correntes de esquerda entraram em crise no mundo. Muitos ficaram órfãos de referências político-ideológicas. Nenhuma força progressista esteve imune à crise. Mas nem por isso cruzamos os braços, mergulhando na perplexidade ou na passividade política. Conosco, foi diferente: não abandonamos nossas convicções de base. Para nós, as doutrinas têm a sua importância, mas o principal é o compromisso de vida com o destino dos oprimidos. A esquerda autêntica supera seus desafios participando cada vez mais nas lutas concretas do povo. Nossa bússola são as aspirações populares por uma vida digna. Por isso, fomos capazes de promover, em plena crise das ideologias, reformas sociais tão importantes em nossos países. As esquerdas no Uruguai e no Brasil souberam mudar, mas sem mudar de lado. Também por essa razão, nossas experiências de Governo e nossos partidos são hoje referências, tanto para a América Latina como para outras regiões do mundo. Tudo isso nos impõe responsabilidades redobradas. Precisamos continuar e aprofundar as transformações em nossos países, tendo claro que esse é trabalho para mais de uma geração. Mas precisamos também reconstruir o pensamento de esquerda, enfatizando, sobretudo, nosso compromisso inegociável com a democracia. Não queremos dar lições a ninguém. Não buscamos construir paradigmas ou elaborar “modelos”. Mas temos a obrigação política e moral de explicitar para o mundo o cerne de nossa experiência histórica. E essa experiência mostra claramente duas coisas. Que não haverá socialismo se ele não for profunda e radicalmente democrático. Tampouco haverá uma autêntica democracia política se não houver uma democracia econômica e social. Essa combinação de democracia política com democracia econômica e social nos dá a chave para formularmos o projeto histórico que queremos construir. É nossa missão dar consistência teórica e política a esse renovado ideal libertário. Tal consistência não virá somente dos livros. Ela surgirá, sobretudo, da luta dos trabalhadores e de nossa capacidade de refletir sobre os rumos da história. Não poderá ser uma reflexão solitária, menos ainda confinada a um espaço nacional. Mais que uma constatação, cabe-nos fazer um convite, uma convocatória”. Assim, não nos resta qualquer sentimento de reação contrária às manifestações receptivas ou criticas sobre a possibilidade de diversas correntes políticas se reunirem para refletirem sobre assuntos que lhes dizem respeito e das reflexões coletivas optarem por um alinhamento comportamental, tão pouco compreendemos que assim agindo estão subtraindo a construção partidária. Pelo contrário, estamos a exercitar a melhora qualitativa no sentido de contribuir com o debate dentro do alinhamento dos princípios partidários.


Adelmo Borges adelmobs@terra.com.br é vice-presidente do PT de Camaçari e membro do Movimento Alternativa Socialista


 
Últimas Publicações

Uma semana importante
Os caminhos da sucessão
Os passos da sucessão
Camaçari de 2020
Serin e o Orçamento Participativo
Camaçari nos últimos 10 anos
Um grande desafio
Camaçari Desenvolvimento Econômico/Social
Mais que uma festa popular
Perfil da juventude brasileira
Partidos e políticos de Camaçari
Revista de Semana
Tata Kambondo
PT um partido ideológico ou de massa?
Tempo de Afirmação, de Decisão
Fatos e Efeitos
Todo parto tem sua dor
Todo parto tem sua dor
O necessário exercício da democracia nas grandes decisões
Parabéns


inicio   |   quem somos   |   gente   |   cordel   |   política e políticos   |   entrevista   |   eventos & agenda cultural   |   colunistas   |   fale conosco

©2017 Todos Direitos Reservados - Camaçari Agora - Desenvolvimento: EL