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Adelmo Borges


Tempestade perfeita



O Brasil, em termos político, econômico e social, da era pós-Luiz Inácio da Silva passou e passa por uma tempestade que se pode afirmar composta de todas as características, completa. A crise cambial global detonada por volta da metade do segundo mandato do petista foi minimizada pelas reservas cambiais que o país detinha, assim como a forte popularidade que Lula na época.


Do primeiro mandato de Dilma até o período do impedimento o quadro foi notoriamente diferente. Dilma não tinha o mesmo poder político, o carisma, tão pouco a capacidade e tolerância para lidar com o parlamento (comandado por Renan Calheiros e Cunha), viciado com a negociação dos interesses pessoais e corporativos. No contexto desse cenário os parlamentares do centro se articulam ao perceber que um vazio se estabelecia na dicotomia entre os partidos de esquerda e da direita, estabelecendo uma força até então pendular entre os grupos hegemônicos.


O aprofundamento da crise se estabeleceu na cisão ideológica, na evidencia dos métodos e recursos utilizados entre os políticos e os empresários, na ausência de uma liderança política capaz de conter a indignação popular frente aos sentimentos anticorrupção, as perdas econômicas, a criminalidade e violência, a precária prestação dos serviços públicos e evidente possibilidade da perda de conquistas sociais.


Em outubro próximo o Brasil volta às urnas para decidir sobre os futuros governantes e a composição dos parlamentos federal e estadual, um pleito até então sem favorito diante do impedimento do ex-presidente Lula na competição. O cenário é incerto.


Com uma linha de corte abaixo dos 20% para se chegar ao segundo turno todas as representações partidárias anunciam candidatos. Alguns na busca de alianças favoráveis para garantir ou aumentar a representação nos parlamentos, assim como tentar reeleger as principais lideranças, manter o fórum privilegiado para dificultar as investigações e possíveis responsabilidades criminais anunciadas.


No contexto atual o Partido dos Trabalhadores tem uma leve vantagem. O ex-presidente Lula, mesmo responsabilizado criminalmente, tem poder político capaz de transferir para o candidato indicado o suficiente para levá-la ao segundo turno. O MDB assim como o PSDB passa pelos seus piores momentos. O MDB traz a marca do golpe, da impopularidade de Michel Temer e as fortes acusações em fase avançada de investigação. O PSDB tem a marca de Aécio Neves, o distanciamento de José Serra e Fernando Henrique Cardoso. Resta o DEM sem musculatura, mesmo no estado da Bahia onde detém a prefeitura da capital com ACM Neto, seu mais evidente quadro. O lançamento de Rodrigo Maia, originário do Rio de Janeiro, estado símbolo da corrupção não tem sentido.


Assim o quadro de incerteza se aprofunda. Em identidade com a classe política não se identifica uma liderança empresarial, sindical ou comunitária a que se possa fazer referência. É um clima de tempestade perfeita.


Adelmo Borges adelmobs@terra.com.br é dirigente do Rede Sustentabilidade em Camaçari


 
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