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Carlos Silveira


MEMÓRIA: Camaçari, 50 anos do golpe militar Considerações sobre a confissão de um torturador



Ontem (26/3) à noite assisti na TV, entre estarrecido e incrédulo o que via: parte da fala de um torturador. Tratava-se do depoimento do coronel reformado do Exército, Paulo Malhães, torturador confesso e que, entre outras atrocidades, assumiu ter desaparecido com o corpo do deputado federal Rubens Paiva, em 1971. Ele confirmou ter torturado presos políticos e chegou afirmar ter “matado pouca gente”. Revelou, ainda, não ter nenhum arrependimento, que faria tudo de novo, pois torturava “inimigos”. E mais: disse que, se preciso, torturaria novamente em questões de roubo e tráfico, e que não tinha qualquer remorso pela tortura e mortes praticadas.


Nestes dias têm sido publicados muitos artigos, muitas notícias sobre o Golpe Militar de abril de 1964, mas nada nos assusta tanto como poder assistir a uma pessoa assumir que torturou que matou e que se preciso faria tudo de novo. É muito forte principalmente para as centenas de milhares de brasileiros e seus familiares que sofreram nas mãos dos órgãos da repressão e nas mãos de pessoas como Paulo Malhães. A Comissão Nacional da Verdade, bem como as diversas comissões estaduais, todas elas, estão prestando um serviço necessário e importante para o esclarecimento das violações dos direitos humanos ocorridas durante o Regime Militar e para que nunca mais tenhamos acontecimentos deste tipo em nossas vidas, em nossa terra e em nosso Brasil.


Aqui em Camaçari a Ditadura teve muita influência, pois os militares decretaram que o município seria, a partir de 1972, Área de Segurança Nacional e acabaram com as eleições diretas para prefeito, ficando a população, até 1985, sem eleger prefeitos e tendo um interventor designado pela Ditadura para gerenciar o município.


O município tem ainda uma ligação importante com outra ditadura que foi a de Getúlio Vargas, pois aqui, em 1978, localizamos Eduardo Sapateiro que foi um dirigente comunista que participou do Levante de 1935 no Rio Grande do Norte e que se encontrava clandestino nestas terras.


Também tivemos aqui a presença de outro lutador do nosso povo que foi o padre Paulo Tounucci, que não está mais no nosso meio, mas que, por vários anos, também lutou aqui para organizar o povo no sentido de alcançar sua liberdade e teve um papel destacado não só em Camaçari como em Salvador e outras localidades.


A luta contra a Ditadura em Camaçari, também contou com a participação direta dos militantes do PC do B, ainda na clandestinidade, que em 1976 iniciaram aqui os trabalhos de organização política no município.


Felizmente, a Ditadura acabou por aqui com a eleição direta do prefeito em 1985. Porém, foram dez longos anos de luta e de combate à Ditadura Militar, tanto em nível nacional e estadual, quanto local.


Por isso, é importante lembrar-se desses fatos, para que os que não tiveram a oportunidade de participar da história possam tomar conhecimento no sentido de que as atrocidades do período ditatorial não retornem jamais. Brasileiros das mais variadas gerações, comprometidos com a democracia, devem estar, todas e todos, despertos para que nunca mais tenhamos que viver sob perseguição e privados do exercício das nossas liberdades fundamentais. 


Carlos Silveira cabras@contratosc.com.br é Empresário Contábil, Bacharel em Direito e Professor. Foi um dos fundadores do PT na Bahia e ex-secretário municipal das pastas da Administração; Assistência Social; e Cidadania e Inclusão Social de Camaçari.


 


 
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