Busca:






Carlos Silveira


Eu ontem à noite conversava com o jovem Laion sobre as manifestações



Eu ontem (20/6) à noite conversava com o jovem Laion sobre as Manifestações, dizia eu a ele mais ou menos assim:


Sou filho das ruas, fui parido nas manifestações populares, fui forjado nas passeatas, sou produto daquela geração, nasci para a política no fim do segundo quartel da década de 1970, de lá para os dias de hoje participei de tudo que a luta política de esquerda pode produzir.


Em função disto e muito mais continuo nas ruas, continuo nas manifestações, pois elas trazem varias coisas novas, são inéditas, são a expressão de um novo momento que vive a juventude e não só ela, mas que vive a humanidade no Brasil e no Mundo, e o mundo está conectado com o que se passa em nosso país é só olhar a solidariedade que o movimento tem recebido pelo mundo afora.


O poeta Joelson Meira, de onde ele se encontra, no Planalto Central, copiando Emir Sader, e o fez muito bem, se expressou assim no Facebook, e eles estão corretos:


“O mais importante são as lições que o próprio movimento e a esquerda – partidos, movimentos populares, governos – tirem da experiência. Nenhuma interpretação prévia dá conta da complexidade e do ineditismo do movimento. Provavelmente a maior consequência seja a introdução da temática do significado político da juventude e de suas condições concretas de vida e de expectativas no Brasil do século XXI." 

Emir Sader.


Aqui em Camaçari as manifestações começaram na terça feira, concentração na Praça Desembargador Montenegro, iniciando às 17 horas, passando pelo centro da cidade, chegando à via Parafuso e retornando para a rodoviária por volta das 20 horas, antes, porém passando pela porta da prefeitura onde perdemos a oportunidade do governo municipal receber os representantes do movimento como estava previsto, batemos com o portão na cara.


Na quarta feira a mesma quantidade de manifestantes repetiu a doze e pararam a via Parafuso no fim da tarde e inicio da noite, voltando a se dispersar novamente na rodoviária por volta das 20 horas.


Na quinta, muitos jovens de Camaçari foram para Salvador, inclusive minha bela Joquinha Ikeda Silveira Brasil com os seus dezessete aninhos. Antes do meio dia se armou com sua mochila de guerra, vinagre, lenço, água e outros apetrechos mais, foi para Salvador, fiquei com o coração partido, retornou as 21.30 h para a minha alegria e da minha Baixinha. Ela pode viver o que eu vivi a vida inteira, fiquei horas a ouvi-la sobre o que viveu, cada detalhe, como fez para livrar-se da policia.


Dentre muitas outras coisas podemos notar que uma grande quantidade de participantes, nestes primeiros dias, são estudantes com idade a partir dos doze anos, porém, o que vimos ontem no Brasil inteiro foi a participação de pessoas das mais diversas idades, e em algumas cidades famílias indo para as ruas mostrar a sua indignação com A Ordem Estabelecida. Devemos estar todos (as) alertas, todos (as) despertos, vem aí o 14 de Julho, a Tomada da Bastilha.


Mas o que eu queria dizer mesmo é que nestes dias de manifestações não encontrei a maioria do PT nas ruas, nem daqui, nem de lugar nenhum do Brasil. Quem não vai para as ruas neste momento é como se tivesse a Síndrome de Avestruz. Está declarando culpa no cartório da vida, está praticando uma omissão infeliz e a vida é cruel, pode cobrar caro e em dobro.


Não vi e não soube de nada feito pelo PT, onde estão suas Executivas, seus Diretórios, seus Setoriais, seus Coletivos Políticos. Onde andam os que daqui a quatro meses estarão pedindo os votos no PED, para elegerem dirigentes de um partido que já não está mais nas ruas, pobre Bahia...


Há!  Mais nem tudo está perdido. Ainda tem tempo de corrigir, ainda tem tempo dos governos dialogarem com as reivindicações e atenderem, ou melhor, a vida está obrigando os municípios a baixarem as passagens e já são dezenas deles que já o fizeram. Ainda tem tempo de a água voltar a correr no leito do rio, pois o que vimos ontem no Brasil inteiro não me parece que já acabou. E se acabar ainda resta o debate que precisa ser feito para entender o que está acontecendo.


Por ultimo preciso louvar as (os) militantes do PT que como eu estavam lá, mesmo aqueles que estavam no entorno olhando, tentando captar mais. Aos segundos eu digo que já podem se incorporar é bom, não engorda, pelo contrario marchar do Centro até a Via Parafuso e voltar ajuda em muito a emagrecer e a entender o que se passa.


A rua está a nos dizer muitas e preciosas lições.


Há! Laion faltou eu lhe dizer que ontem mais de um milhão de pessoas participaram pelo país a fora das manifestações, em quase todas as capitais e em inúmeras cidades do interior, mais isto não importa, pois sei que você antes mesmo de mim já viu todas as noticias nas redes sociais.


 Carlos Silveira cabras@contratosc.com.br é advogado, empresário contábil, fundador do PT de Camaçari e ex- secretário municipal de Cidadania e Inclusão


 


 
Últimas Publicações

13 ANOS DE HISTÓRIA DO MOVIMENTO POPULAR DE CAMAÇARI, DE 1977 – 1989 (3).
Junho
13 ANOS DE HISTÓRIA DO MOVIMENTO POPULAR DE CAMAÇARI DE 1977/1989 (1)
13 ANOS DE HISTORIA DO MOVIMENTO POPULAR DE CAMAÇARI DE 1977/ 1989 (2)
13 ANOS DE HISTÓRIA DO MOVIMENTO POPULAR DE CAMAÇARI, DE 1977 – 1989 (4)
13 Anos de História do Movimento Popular de Camaçari 1977/1989 (5)
Dona Luiza abriu uma garrafa de champanhe...
Qual a ligação existente entre mãe Rosa Vidal e o padre Valmir?
Quando eu ia a pé para Cachoeira, eu e minha Avó Josefina
Eu ontem à noite conversava com o jovem Laion sobre as manifestações
MEMÓRIA: Camaçari, 50 anos do golpe militar Considerações sobre a confissão de um torturador
Um ligeiro passeio sobre o atual momento
As mulheres na política de Camaçari
Não serei o taxi da contabilidade


inicio   |   quem somos   |   gente   |   cordel   |   política e políticos   |   entrevista   |   eventos & agenda cultural   |   colunistas   |   fale conosco

©2017 Todos Direitos Reservados - Camaçari Agora - Desenvolvimento: EL