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Carlos Silveira


Junho



Mês gostoso, que friozinho bom... tempo de brincadeiras, de virar compadre/comadre na fogueira, milho verde, chimango, chiringa, amendoim cozido, canjica, licores, mês dos foguetes. Ah, meu pai adorava fazer a fogueira de São João e soltar fogos de artifícios, comprava-os sempre, guardava-os bem em cima do guarda roupas e só os abria na hora da fogueira. A de lá da nossa casa eu ajudava a arrumar, queria que ela ficasse a mais alta da rua, e para isto, além das madeiras, ainda colocava uma árvore e pendurava as laranjas nos seus galhos, que maravilha! As ruas de Caetité ficavam todas enfeitadas, quentão gostoso com gengibre, que delícias!


Na nossa casa em três ocasiões se arrumava “mesa farta”: Natal; Sexta-Feira da Paixão, como católicos jejuávamos, que vinho gostoso ao meio-dia!; E no São João, sem dúvida, esta era a que eu adorava, muitas estripulias. É por isto que eu sou José, nasci em março, tempo de plantar o milho para colher no São João. Cresci em meio ao fazer Pamonha de milho verde, ah... com o requeijão de Vovó Josefina é inesquecível. Mainha fazia o vestido rodado da minha irmã Azelma, como ela ficava linda a correr comigo em volta da fogueira, às vezes eu me queimava com os fogos, mas era assim mesmo, muitas peraltices.


De primeiro a treze rezava-se a trezena do santo festeiro, como era bom ir para a igreja de São João! Quando moramos na Rua São João, então, já era uma festa, nossa casa ficava pertinho da igreja, ao lado da “Usina de Luz”. Às nove da noite tudo desligava! No São João não a iluminação da cidade ficava até mais tarde, estou vendo seu Antonio Prates abrindo as portas da Igreja para as trezenas. As moças da cidade que desejavam se casar era nesta época que ficavam ainda mais católicas a rezar nas Trezenas de Santo Antonio esperando os seus pretendidos maridos.


Forró, as músicas ainda hoje são as mais bonitas, esbaldávamos dançando forró!  Se bem que o de Igaporã era muito legal, por lá encontrávamos todo o povo da região, das Tabocas, das Veredas, do Riacho de Santana, ah, era de todo lugar, de Guanambi, então, até de Pajeú do Vento vinha gente dançar na festança de São João de Igaporã. Não era o mês inteiro como em Campina Grande - PB, mas eram deliciosos quinze dias que não acabaram mais nunca na minha lembrança.


No outro dia depois da fogueira, era hora de catar as bombas que não estouraram para fazer mais fogos, foi assim que umas três vezes me acidentei, não tinha problema, era tudo por conta do meu santo festeiro. Neste dia saiamos pelas casas dos conhecidos para comer e beber. Dona Lôra São, João passou por aqui? Essa era a senha para ganharmos bolo e outras gulodices que só conhece quem cresceu no sertão da minha adorada Caetité.


Quando eu pensava que já tinha acabado o mês de Junho, ainda tinha o vinte e nove, o São Pedro, pois aí caíamos pelas casas das viúvas e viúvos a festejar ainda o mês mais querido do sertão, mês da fartura. É isto! O mês de Junho ainda dá direito aos viúvos de um dia inteiro para lembrar a pessoa amada que foi para a outra vida. Na casa de Dona Corina, mãe de Chico Lima da Loja de Moveis da Avenida Santana o São Pedro era especial. Ela, uma senhora franzina e muito bondosa... seu bolo de milho era supimpa! Como dizia minha mãezinha nas festas de São Pedro de Dona Corina.


Aí já estávamos no dois de Julho, mais aí já é outra festa, ou melhor, outra historia.


Carlos Silveira cabras@contratosc.com.br é advogado, empresário contábil, fundador do PT de Camaçari e ex- secretário municipal de Cidadania e Inclusão


 


 
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